Resenha: O Inimigo

“O Inimigo” se passa em um mundo em que uma doença atingiu todos acima de 16 anos, transformando-os em algo muito parecido com zumbis. A história começa um ano depois da doença se espalhar e foca em um grupo de crianças que vive no supermercado Waitrose. O problema começa quando eles percebem que cada vez precisam ir mais longe para buscar mantimentos e se continuar no mesmo ritmo em breve não restará ninguém para contar a história. Felizmente, surge um garoto falando que do outro lado de Londres, no Palácio de Buckingham, está seguro e há alimento. O que é muito bom para ser verdade… Então, ele só precisam chegar até lá.

No começo, achei o livro um pouco lento e em parte me desanimava por causa dos estereótipos (às vezes até como se fosse um adulto falando de coisa se “criança” sem entender), mas conforme a história se desenvolve e você conhece os personagens essas coisas acabam ficando esquecidas. Você termina querendo saber o que vai acontecer com os personagens e preocupado com o que vai acontecer.

Isso nos leva a uma das coisas interessantes do livro: não há um protagonista. A narração vai mudando de foco conforme a história continua e dependendo da importância do personagem (mas sempre entre o grupo do Waitrose). E o que isso tem a ver com preocupação? Em algumas situações, tipo ataque de zumbis ou em um Jogos Vorazes, por mais que você fique louco para saber como a situação vai se resolver, você sabe que o personagem principal vai terminar bem. Já em “O Inimigo”, como não há um personagem principal, todo mundo corre risco de vida e você não sabe quem vai chegar ao final.

Outras coisas que merecem destaque nos livros envolvem as próprias crianças. Apesar do grupo do Waitrose ser o principal, esbarramos com vários outros grupos, tipo o de um supermercado perto, umas garotas “caçadoras” no maior estilo Ártemis, o dos garotos do castelo e ainda mais. O legal é ver que cada um se organiza de uma forma diferente, tipo “mini-sociedades”. Temos exemplos de estilo democraria, alguns parecidos com distopia, outros totalmente anti-governo… Aliás, acho que esse é o ponto alto do livro. Não sei se eu concordo em tudo, mas é legal quando há uma discussão do papel de líder e coisa assim. Tudo isso tão inserido na história que não chegaria “incomodar” como um texto “educativo”.

Há tantas crianças que é tipo uma coleção enorme de personagens com mil características diferentes. Eu não posso realmente falar muito sem dar spoiler, mas vou citar os meus preferidos: o Bobo, o Garoto e a Sophie. O primeiro não é que eu goste, mas a forma como ele foi construído me chama atenção. O Garoto pelo mesmo motivo, mas eu também gosto de como ele é. Já a Sophie é porque me lembra à Katniss e isso basta. Nenhum desses tem muito destaque, mas você pode ver que até esses são trabalhados. Acho que o autor buscar criar personagens no estilo metáfora para “tipos” da nossa sociedade.

O livro lembra um pouco a “Gone”, mas não como cópia (apesar de ter algumas semelhanças, tipo a ausência dos adultos e risco de vida por algum motivo). Eu achei um tão bom quanto o outro e acredito que sejam para o mesmo público. Eles não são livros necessariamente mais infantis (são até pesados em algumas horas), o que acontece é que são livros sobre uma realidade (sem cortes) com protagonistas crianças/adolescentes. Não tem como um garoto de 12 encarar a situação do mesmo modo que um de 30. “Jogos Vorazes” eu reclamo de estar na prateleira infanto-juvenil, mas “O Inimigo” e “Gone” ficam bem ali.

Título: O Inimigo

Primeiro da série “O Inimigo”, os outros ainda não foram lançados no Brasil. Mas não é realmente necessário ler os outros, tem até personagens diferentes. 

Autor: Charlie Higson

Editora: Galera Record

Resenha: The Swan Kingdom

O livro conta a história de Alexandra, a irmã mais novas de três irmãos e princesa. Crescendo na família real, ela nunca se viu como alguém muito especial. Cada irmão era muito bom em alguma coisa, o pai era o rei e a mãe uma mulher amável que tinha o dom (esse “dom” vem de sua alinhagem ancestral ligada aos ritos antigos que a faziam conhecer a natureza e ter a hablidade da cura). Como ela poderia se destacar assim? Alexandra era como o “patinho feio” da família.

De qualquer forma, tudo ia bem até que por causa de uma série de acontecimentos ela vê sua vida de cabeça para baixo, é afastada dos irmãos que adorava e exilada. Agora, o reino está em risco. Mas há uma salvação… e tem tudo a ver com Alexandra, mesmo que ela ainda não saiba.

Eu comprei esse livro sem nem ler a sinopse só porque eu queria ler um livro sem saber nada (às vezes a vontade é essa…). O que eu sabia era que tinha a ver com contos de fadas, como estava na capa, e já era o suficiente.

O livro foi uma agradável surpresa porque eu não fazia ideia do quanto ele poderia ser bom. Eu comecei com um pouco de preconceito, mas logo nas primeira páginas eu já não conseguia largar.

“The Swan Kingdom” tem um clima de contos de fadas e tem realmente referências a contos de fadas, mas acaba estruturando muito mais como uma livro YA qualquer do que como uma pequena história de princesas que você conta rapidamente. É bem a frase da capa: “e se contos de fadas fossem reais?”

Uma coisa que ao mesmo tempo é um lado positivo do livro e o lado negativo, é a magia. Você sabe como nos contos de fadas (Branca de Neve, Cinderela…) as coisas se resolvem rapidamente com o uso da magia e é o que acontece no livro. Eu gostei muito, mas achei que acabou criando uma preparação muito grande para uma resolução muito rápida. Contudo, a magia também é uma parte boa e há algumas partes de ação que eu gostei bastante.

Se você gosta de contos de fadas, clima medieval e livros YA, esse com certeza é uma boa opção. Infelizmente, só não foi lançado no Brasil e (que eu saiba) não há nenhuma previsão. Pelo lado bom, a Saraiva tá vendendo por um preço ideal. Comprei em uma loja até.

Título: The Swan Kingdom

Livro Único

Autor: Zoë Marriott

Editora: Walker Books

Resenha: O Nome do Vento

O Nome do Vento é o primeiro de três livros (que falam sobre três dias) em que Kvothe conta sua história a um cronista. Essa história é de um grande herói como aqueles das músicas dos bardos, mas no primeiro livro não chegamos a conhece-lo. É que o Kvothe está escondido como um simples hospedeiro e foi se esquecendo quem realmente era, então no presente vemos apenas sombras de quem um dia ele foi. Já no passado, ele está contando o início de sua vida (quando era criança e adolescente), então o que vemos é ele em formação. Ou seja: Em “O Nome do Vento” vemos as bases tanto no presente quanto no passado para descobrir quem o tal grande Kvothe realmente é.

Eu falo isso porque eu lia sinopses e resenhas do livro imaginando um grande herói e aventuras surpreendentes, mas não é exatamente isso que encontramos. Não que o livro tenha me decepcionado.

Nós conhecemos três momentos da vida dele: quando ele vivia em uma trupe itinerante com os pais e começou a aprender simpatias; quando ele enfrentou a vida nas ruas de uma cidade cruel e virou uma espécie de animalzinho; e quando ele vai para a Universidade, começa a estudar, a criar a própria fama, a arranjar inimigos, a descobrir o mundo e ainda se apaixona.

A primeira parte vai meio devagar, mas o estilo de escrita do autor é atraente e você fica curioso para saber onde aquilo vai dar, já que está começando a conhecer o mundo de Kvothe.

Na segunda fica bem mais lento e confesso que tive que me forçar a ler um pouco. Como eu disse, ele é tipo um animalzinho e não pensa, vive por reflexos e “apaga” quem era. Então é um pouco cansativo e sem perspectiva, mas não ruim quanto à qualidade do livro. É só que é um momento ruim para o personagem e, portanto, difícil de gostar.

Já a terceira parte é a maior e mais legal, como você deve ter imaginado sozinho. É legal que nós vemos um Kvothe já mais crescido, precisando lidar com a pobreza para avançar nos estudos. Essa necessidade do personagem é o que motiva todo esse trecho e faz com que a história se desenvolva em mil maneiras, porque é assim que ele arranja inimigos, ou que enfrenta alguns problemas com professores. É por causa disso que ele acaba encontrando a música. E através da música que ele encontra a garota.

Às vezes me lembra a Harry Potter, pelo jeito da Universidade, mas o mundo é muito mais aberto já que ele não tem os confortos de Hogwarts e pode ir e vir. Também me lembrou a Game Of Thrones, por causa do jeito medieval de tudo. Tem até uma Alice no País das Maravilhas do submundo, que não tem nada a ver e ao mesmo tempo tudo a ver com a história.

Eu gostei bastante do livro, do estilo de escrita do autor, de como ele faz os diálogos e cria romances tão reais. No final, a vontade é de ir direto para o outro. Mas no geral não é aquele livro maravilhoso que todo mundo tem que ler. E acho que é até difícil os mais novos acostumados a Percy Jackson gostarem. De qualquer forma, é um livro no mínimo bom, que pode chegar a agradar muito dependendo do que a pessoa busca.

Título: O Nome do Vento

Livro 1 – As Crônicas do Matador do Rei

Próximo: O Temor do Sábio

Autor: Patrick Rothfuss

Editora: Arqueiro

Resenha: A Linha

Esse livro me lembrou a três outros. O primeiro é Gone , do Michael Grant, o segundo é O Pacto, da Gemma Malley, e o terceiro é Destino, da Ally Condie. Mas não de um jeito “cópia”, mais para estilo, tema e público.

Na primeira vez que eu vi A Linha eu não imaginava que era distopia, só depois que comprei que um amigo me disse que era. Demorei muito tempo a ler, até meu irmão leu antes de mim, e o que ele disse ao ler se tornou realidade: o início é lento, mas depois vai bem rápido. Como o livro mal tem 200 páginas, vai tranquilo e é uma leitura muito rápida.

O livro conta a história de uma garota que vive com a mãe em um lugar afastado das cidades, a Propriedade, sem contato com a maioria das pessoas e bem próxima à Linha. Essa Linha é como um muro invisível que divide o país dela do lugar onde os Outros vivem, mas quem eles são, o que eles fazem ou seja lá qual for a história deles, ela não sabe. Mal sabe a do próprio país, que graças aos ensinamentos da mãe ela descobriu estar toda distorcida e com muito segredo embaixo do tapete. Mas nada disso importa, realmente, porque tudo o que ela tem que fazer é estudar e ajudar a mãe, que é empregada da dona da Propriedade. O problema é que Rachel já está crescendo e aprendendo a ver o mundo com os próprios olhos – e não está tão satisfeita em ficar em silêncio.

O livro é mais infantil, mas mais infantil porque é uma história simples e pequena (246 páginas em letras gigantes, que até me lembraram aos livros que eu pegava na biblioteca da escola quando era pequena, mas sem imagens). No entanto, cheia de conteúdo e informações importantes. Seria até interessante que na aula de Literatura ou até mesmo História fosse uma das leituras. Infelizmente, estão mais preocupados em ensinar os alunos a obedecer do que a pensar, então dificilmente algo assim seria utilizado. O livro faz jus ao que as distopias* parecem buscar: usar um mundo extremado para falar abertamente de coisas que existem na nossa vida.
*Se o autor estiver mesmo preocupado em fazer uma distopia…

É o tipo de livro quase ideal para quem está começando a ler livros maiores, só com palavras. Também para os mais velhos que buscam distopia. Não duvido nada que com o resto da série (que deve ter) fique melhor, podendo até se comparar a Gone (exemplo de um que mesmo sendo parecido consegue atingir e agradar um público mais velho).

O livro, no geral, tem um problema e outra característica que poderia ser vista como problema. O problema em si é que tem muita descrição das história do mundo e dos personagens. Se eu fosse escrever o que acontece nas 100 primeiras páginas provavelmente não daria nem uma folha, mas elas estão cheias de palavras que servem para apresentação. Ficamos sabendo do mundo, de um pouco da histórias dos Estados Unificados, tiramos algumas dúvidas do que aconteceu, conhecemos a mãe, a dona da Propriedade, o outro empregado da Propriedade… Na outras 100 páginas, temos realmente alguma coisa acontecendo, com uma descrição aprofundada do que já conhecíamos e algumas respostas. Os problemas desse problema é que torna um pouco cansativo (informação, informação, informação e um monte de “pra quê?”) e muitas das coisas importantes perdem o valor, já que o leitor está com a atenção diminuída.

O que poderia ser um problema é o tamanho do livro. Já li livros que a introdução tinha mais páginas que esse inteiro, o que dificulta a criar uma história realmente boa e profunda (para o tema proposto) com tão pouco espaço.

Quando parece que o livro começou, ele termina bem no jeito “leia o próximo para saber”. Me lembrou agora a Destino, que é até bem parecido, trata da pessoa que “acorda” para a vida e faz uma decisão. Mas esse não tem o romance para entreter, não tem um desenvolvimento interno da personagem… E eu já achei Destino cansativo.

A personagem acho que vai ter quem não goste. Ela é um pouco criança. Não é nem do tipo que você diz “sua burra!”, você vê exatamente que ela, com a idade que tem, não poderia ter pensado em algo mais. O que é até legal, porque eu nem lembrava se ainda retratavam gente mais novo desse jeito, já que no livro todo mundo parece ser mais velho (até para a própria idade). E, se você me perguntar a idade dela, eu também não sei, porque a autora não fala em momento nenhum a idade de ninguém. É sempre mais velho, mais novo, jovem, velho, cabelo grisalho…

No geral, o que me perturbou mesmo no livro, é que ele é muito simples. Não há trabalho no desenvolvimento de uma escrita bem feita, nos acontecimentos e em todo o resto. É como se você colocasse meia dúzia de objetos e colocasse em uma cesta, sem arrumar com capricho, envolver e torná-los algo maravilhoso e um só. Talvez nos próximos melhore, porque o final levou para um caminho que até me surpreendeu.

Com esse eu tive o mesmo conflito que eu tive para dar nota que “Destino”. Eu “sinto” que é um 4, mas a lógica me diz que é o 3. Isso que me fez perceber que é porque eu valorizo o tema dos livros e acho importante que as pessoas leiam e pensem. Mas, para ser sincera, é um livro que poderia até ter passado. Tanto esse quanto Destino: são temas interessantes, histórias que ficam até legais, mas ninguém vai morrer se não ler. Porém, se você gostou de O Pacto da Gemma Malley, totalmente indicado.

Título: A Linha

Livro 1

Próximo: Away

Autor: Teri Hall

Editora: Novo Século

*Eu não sei se termina no segundo e nem se há previsão para lançar aqui, saiu lá fora em setembro de 2011

Resenha: O Caderno de Maya

Esse livro eu conheci quando estava fazendo mais uma das minhas costumeiras rondas pela livraria e ouvi alguém dizer “Ainda bem que chegou, tem um monte de gente procurando”. Curiosa, ativei meu lado Sherlock Holmes e fui ver. Dei de cara com “O Caderno de Maya” da Isabel Allende, livro que eu nem tinha ouvido falar. O nome da autora não era totalmente desconhecido, provavelmente recebido de memória genética de algum antepassado (-n), mas não fazia nenhuma diferença para mim.

Não sei por que, cismei com o livro e decidi que ia ler. Acabei ganhando no Natal e agora, ao terminar “Os Anos de Fartura”, foi a vez dele me chamar atenção na prateleira e falar “é a minha vez”.

Eu não sabia nada sobre a história e nem o que esperar, mas não precisei nem de 10 páginas para ter certeza de que eu ia gostar. Isabel Allende é uma escritora habilidosa e sabe criar uma narrativa com sabor e cheia de temperos.

O ponto de partida é: Maya, uma garota de 19 anos, com cabelos pintados de várias cores e botas rosas que encontrou no Exército da Salvação, é mandada pela avó de personalidade forte para uma ilha no cu do mundo, mais conhecido como Chiloé, no Chile. Nós logo percebemos que há algo do qual ela está fugindo (até o FBI está atrás dela!) e alguma relação daquilo com o seu passado, mas precisamos passar por todas a 400 páginas para conhecer a história da personagem e descobrir as respostas.

A história não tem um pecado em si, é uma trama muito inteligente, que parece ter sido montada com capricho. Mas, com certeza, não vai agradar a todos. Primeiro, porque ela tem muitas variações (em uma hora estamos conhecendo a história dos avós dela, outra hora a vida de um adolescente rebelde acabando com o próprio corpo, vamos parar no meio de histórias de ditadura – olha a distopia me seguindo até aqui – e ainda conhecemos muito sobre a vida na ilhazinha) e grande parte da atenção é prendida no interesse que o leitor tem por essas histórias. Eu adorei a narração, que dava vontade de voltar a ler, mas isso vai de gosto.

Outro motivo que pode fazer alguém desanimar é as mudanças. Às vezes estamos no passado, às vezes no presente. Não é uma corte ruim como em alguns, mas a mudança de ambientes pode desanimar.

E, para terminar, um ponto da resolução da história que ficou um pouco fraco. Depois de uma história tão puxada para a realidade, a gente pode esperar um pouco mais. Não que seja ruim, só definiu a comparação entre ela, a Nora Roberts e o Sidney Sheldon que eu já tinha começado a formular. A maior diferença é que a escrita da Isabel é mais viva, com mais tons de história, se é que dá para entender.

No geral, eu gostei bastante. Eu percebi que lia os diálogos com vozes diferentes no pensamento, a ponto de diferenciar a voz da Maya quando criança ou no presente. Os personagens vão sendo montados com várias nuances e características diferentes, além de cada um chamar atenção ao seu modo.

Às vezes a autora conta bastante da cultura local, que pode ser interessante. É divertido ver sobre as crenças e as formas de se organizar. Aliás, foi o segundo livro que pareceu lidar com uma fonte parecida com a que JK usou para criar a mitologia de Harry Potter (o primeiro foi Brumas de Avalon).

Também gostei da forma como a autora mistura várias questões sérias à narrativa. E, uma vez ou outra, joga um elementro surpresa que cai de paraquedas na história e dá um ânimo novo.

Ela cria uma trama, escolhe cuidadosamente onde vai colocar os pontos principais para nos instigar e, no final, cobre tudo com várias camadas (história do lugar, características dos personagens, modo de narração…) para dar vida à história. O único problema nisso é que pode haver camadas demais e dificultar a leitura dos que não se interessam.

Se você busca romances, pura diversão e outras coisas simples comum em YA, não indico (até porque o livro não recebe essa classificação). Mas para quem gosta de uma história com pegadas de Nora Roberts e Sidney Sheldon, com vários momentos diferentes e adora conhecer culturas, fica muito mais fácil gostar.

Resenha: Os Dias Escuros, Apocalipse Z

Oooi! Estou aqui de volta, agora postando de 15 em 15 dias por causa da faculdade, mas ainda postando. :)

Da última vez eu falei de Apocalipse Z, livro que eu adoro. Hoje eu vim falar do segundo livro, Dias Escuros. Eu adoro essa trilogia e me surpreendo que eu ainda não tenha falado de todos os três livros aqui.

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Quando eu terminei o primeiro livro – depois de um dia inteiro grudada nele – eu estava satisfeita. O final parecia bom e depois de toda aquela situação (que eu vivi junto com os personagens) eu precisava de um bom descanso. Sabe como é, passar o dia inteiro fugindo de zumbis é cansativo.

Porém, um tempo depois, circulando na livraria, eu esbarrei com Dias Escuros e de cara soube que era a continuação de Apocalipse Z. COMO ASSIM? TEM CONTINUAÇÃO?! Pois é, eu nem fazia ideia (na época, esse tinha acabado de sair no Brasil). Como eu achava que já tinha mais do que descansado, corri para comprar e descobrir o que os nossos “protagonistas” fariam.

(spoilers do primeiro livro a partir daqui)

O advogado, que ainda não sabemos o nome, Lúculo, Lucía, Pritchenko e a freira continuam sua viagem. Conseguem chegar à tão esperada ilha, mas que acaba não se mostrando o paraíso livre da infecção que eles esperavam (e, até aqui, você já imaginava isso, já que de algum modo a história tem que continuar). O lugar está, sim, livre dos zumbis, mas está cheio de humanos – muito cheio. Parece que todo mundo teve a mesma ideia que eles e foi se esconder lá. Um lugar isolado, com poucos recursos, um governo de emergência que tenta se sustentar e, para piorar, ainda lida com um inimigo. Nesse contexto, os nossos sobreviventes descobrem que a política dos homens pode ser pior do que a violência dos mortos.

“Dias Escuros” traz vários diferenciais em relação ao primeiro. A narração muda, não sendo mais um diário; O foco nos personagens também (na maior parte, é o advogado, mas às vezes temos a narração de uma outra situação); E tem capítulos alternados contando situações diferentes. Além disso, a violência não é tão forte assim quanto a do primeiro.

O que me chamou atenção logo de cara foi a narração a partir de um objeto inanimado ou um animal (“Se ele pensasse, ele estaria pensando…”), o que é interessante e de acordo com a narrativa inteligente do Manel Loureiro.

Eu também gostei em como questões mais sérias começam a fazer parte da trama. No primeiro, apesar de já vermos que o próprio homem é um inimigo pior do que os zumbis, é muito mais focado no desespero e sobrevivência. Já nesse, a profundidade vai aumentando, mostrando as dificuldades dos homens se reerguerem depois disso tudo.

Uma coisa que às vezes atrapalha a leitura e nesse foi feita muito bem é a alternância de capítulos. Em muitos livros (tipo “A Batalha do Apocalípse”, do Eduardo Spohr, e “Labirinto”, da Kate Mosse, que retira você do presente e te joga em uma história diferente no passo), isso corta o ritmo da leitura, mas não aconteceu em “Dias Escuros”. Na verdade, é bem pelo contrário, foi feito de um jeito que você pula de uma situação nada a ver para a outra com mais vontade de ler. Eu lembro de querer “engolir” as páginas para saber como aquilo ia se resolver.

Bem, acho que basicamente é isso. Eu gostei bastante do livro e quando terminei lembro de dizer no twitter “eu quero tanto o terceiro que acho que vou ler em espanhol mesmo” (infelizmente, eu não encontrei. felizmente, a Planeta não demorou tanto assim a lançar o último). Entre os três, acho que esse é o que eu menos gosto, mas mais porque ele é transição. Enquanto o primeiro é ação e corrida pura e o terceiro é questionamento (tem ação também, mas não é o forte), “Dias Escuros” é um meio termo. De qualquer forma, eu ainda adoro.

Extra – Distopias

Se você está nessa onda de distopias que está tomando conta do mundo dos livros, esse livro (e trilogia) é uma boa indicação. Nesse nós vemos a típica distopia que costuma se formar das ruínas de uma civilização, mesmo que ela ainda esteja tropeçando para se firmar. No próximo a coisa fica mais forte ainda.

Título: Os Dias Escuros, Apocalipse Z 

Livro 2  - Trilogia terminada com todos lançados no Brasil pela editora Planeta

Anterior: Apocalipse Z

Próximo: A Ira dos Justos

Autor: Manel Loureiro

Editora: Planeta

Resenha: Apocalipse Z


Eu li esse livro faz tempo e só percebi que não tinha feito resenha aqui ainda quando estava pensando em postar a resenha do terceiro hoje. “Como assim? Ainda não fiz? Nem do segundo?! Tenho que fazer!” e aqui está.

Eu já assisti filme e joguei jogos sobre zumbis, mas nunca tinha lido um focado no tema que não fosse daquele estilo wikipédia. Ser uma narração sobre um mundo em que os zumbis tomaram conta e focado em sobrevivêcia me chamou muita atenção. Junto a isso, ainda descobri que foi um livro inicialmente criado em blog. O autor começou a escrever num blog e fez tanto sucesso que publicaram – essa publicação fez tanto sucesso que traduziram do espanhol (não é americano!) para outras línguas, inclusive português – e tudo isso fez tanto sucesso que o autor lançou mais dois e completou uma trilogia de Apocalipse Z.

O livro traz a influência desse começo no blog, já que a história é exatamente isso: o personagem escrevendo (primeiro no blog, depois em um diário). No início ele escrevia em um blog sobre coisas aleatórias (como forma de terapia depois da morte da mulher), mas no meio dessas coisas “aleatórias” ele comentava uma notícia estranha que começava a ganhar destaque na mídia. Uma invasão havia ocorrida no Daguestão, um país que praticamente não estava no mapa. Depois dessa invasão o local ficou completamente sem contato com o resto do mundo e começou chamar atenção da mídia (e de curiosos de todo o mundo, inclusive o nosso protagonista). Grandes potências mandaram equipes para ver o que estava acontecendo, boatos começaram a surgir, histórias de que havia alguma doença se espalham, alguns países começam a fechar as fronteiras… O personagem vai estranhando e comentando tudo aquilo sem ter muita ideia, do mesmo modo como nós reagimos na época da gripe suína (lembram?). Ele – e praticamente ninguém – sabia o que estava enfrentando até aqueles seres aparecerem na porta de sua casa. Nesse ponto o mundo inteiro já estava em alerta máximo de emergência e as pessoas haviam corrido para as áreas seguras (ele ignorou o chamado).

Apenas com seu gato, o personagem (nós não sabemos o nome dele, vou chamar de “advogado” daqui para frente, como ele é conhecido) fica meio perdido nessa situação e só sabe de uma coisa: é preciso fugir.

É um livro de leitura fluída, rápido, cheio de ação e situações que brincam com a sensibilidade dos mais fracos. Não é terror, não dá medo, mas é um puta* “salve-se” quem puder porque tem um bando de coisas querendo cravar os dentes em você. Na época que eu li me lembrou até a coisas tipo 007, com várias missões cheias de ação. É claro que em vez de seguranças vestidos de terno, nosso personagem enfrenta (ou foge) de um monte de mortos-vivos esfarrapados.

*Se você teve problemas com esse “puta” utilizado propositalmente, esse não é um livro pra você. O personagem está no meio de um dos piores universos imagináveis e não vai se preocupar com a linguagem. Não chega a ser desnecessário, nesse livro só ajuda a criar o contexto.

O personagem (e o gato) também contribuem bastante para o sucesso do livro. Boa parte da história é só os dois e você nem se dá conta de que está lendo uma parte enorme com só um personagem. E o advogado é bastante humano. Em vez de ser aquele clichê de cara fortão matando zumbis e aproveitando tudo, como se fosse só diversão, é aquele que não pensa duas vezes em evitar uma situação ruim ou ficar bonito. Para você ter ideia, boa parte do livro ele passa usando aquelas roupas de mergulho daquelas grudadas no corpo. E os comentários dele… só lendo para entender.

Se é um livro que eu indico? Com certeza, é um dos meus preferidos. Apesar dos dois próximos mudar um pouco o foco nessa ação e ficarem mais profundos, também há muita coisa boa para esperar. E se você é daqueles que gostam de explicação para tudo e se decepcionam por não haver a origem dos zumbis no primeiro livro (como é que você queria que um sobrevivente correndo para a própria vida saiba como criaram esse inferno?!), sossegue que nos próximos aparece a explicação e é uma das melhores que eu já vi.

Título: Apocalipse Z

Livro 1  - Trilogia terminada com todos lançados no Brasil pela editora Planeta

Próximo: Os Dias Escuros

Autor: Manel Loureiro

Editora: Planeta

Resenha: Wolfsbane

Mais mitologia, mais sobre os personagens, mais emoção, mais aventura…

Novamente estou aqui para falar da série Nightshade, que depois de Wolfsbane marcou o lugar com certeza entre as minhas preferidas. A Galera Record, que lançou o primeiro (“Sob a Luz da Lua”) é ótima em lançar livros, mas não tão boa quando se trata de continuações, então não há previsão para lançamento aqui. Se você gostou do primeiro e sabe em inglês, sugiro que leia mesmo assim, porque vale a pena.

obs sobre o título do livro: O Victor aqui do blog me perguntou se o nome Wolfsbane era por causa da “erva” dos lobisomens que existe em Vampire Diaries. E, pensando nisso, descobri um monte de outras coisas com o nome Wolfsbane. A autora pode até ter se inspirado em algo assim, apesar de serem lobos e não lobisomens, mas “Wolfsbane” é o nome de um grupo (alcateia em português?) de lobos da trilogia, assim com “Nightshade” é outro. Esse nome é escolhido pelo feiticeiro (um Defensor) dono do grupo de lobos. O dono dos lobos Wolfsbane se chama “Bane” e, arrogante como é, achou que seria ótimo colocar o nome algo como “Os lobos de Bane” (essa explicação é minha, não está no livro).

Wolfsbane dá continuação ao que o fim de Sob a Luz da Lua deixou armado. (spoilers do primeiro a partir daqui, galera) No último, Calla fora levada e trancada em um lugar que não conhece, sem saber onde Shay está. Eu esperava que no começo desse as coisas fossem enrolar com ela presa, precisando fugir, demorando a encontrar Shay e ele ainda tivesse decidido ficar contra ela. Muita imaginação, eu sei. De qualquer forma, foi muito diferente disso que aconteceu.

Nesse livro, Calla conhece o “outro lado”. Eu não sei qual foi o nome em português (não li nem o primeiro traduzido), mas esse lado é o dos Seekers, os feiticeiros do “mal” que a levam no fim do primeiro livro. Como já suspeitávamos com as descobertas de Calla em “Sob a Luz da Lua”, há uma versão inteiramente nova dos fatos.

Depois de ser solta, ela descobre que os Seekers, ou pelo menos alguns de seus líderes, planejam uma aliança com os Guardiões, aliança que só daria certo se houvesse um alfa ao lado deles. Calla não sabe em quem confiar, está abalada por descobrir todo esse novo mundo, por ver Shay em uma situação diferente, por todos os seus lobos que ficaram para trás, por ter deixado Ren para trás…

Esse livro mistura toda essa descoberta, com suspeitas, saudade e aventura. Porque, é claro, não adianta nada um alfa sem sua alcatéia. E a própria Calla está muito preocupada (e culpada) para conseguir fazer outra coisa antes de buscar os amigos.

O início poderia ser arrastado como na maioria dos livros que começam com a personagem descobrindo um novo mundo e tentando entender tudo. Porém, a autora foi habilidosa e usou o que eu diria que é a carta mais valiosa dela: os personagens. Quem leu o primeiro, sabe como ela consegue criar um grupo divertido de amigos e trazer uma história adolescente com cara de real. Nesse ela faz isso melhor ainda. Conhecemos novos personagens (na verdade, descobrimos, porque estamos até a última página do próximo livro, Bloodrose, conhecendo um pouco de cada) e nos distraímos com a forma com a qual eles interagem entre si. Os novos, que eu vou guardar segredo, são alguns dos meus preferidos.

Então, toda essa parte de “introdução” passa sem você perceber e você dá de cara com a ação. Uma das coisas que essa trilogia a partir desse livro me surpreende até o fim é como as coisas não demoram para acontecer. Acabou de acontecer uma “missão especial” e você pensa que os personagens vão voltar, descansar, treinar… Nada disso. Uma atrás da outra e às vezes você mal tem tempo para pensar direito no significado de cada. É claro que não é nenhum 007, mas tem o suficiente para sacudir a história e prender a atenção.

Pra quem se pergunta sobre a situação Shay x Ren. Esse livro é muito mais Shay, mas o Ren consegue estar sempre se infiltrando nos pensamentos dela.

Falando nisso de “se infiltrar”, achei interessante o modo como a autora decidiu “relembrar” ao leitor o que aconteceu no último livro – porque parece que todo escritor de toda maldita série acha que é melhor a gente ficar lendo tudo o que a gente já sabe outra vez (e mesmo que não lembre tanto assim…). Em vez da personagem arranjar algum fato aleatório, lembrar de tudo e sair contando; a Calla lembra de algum fato e nós temos um flashback. Ou seja: se você lembra pula tudo e vambora.

O primeiro livro me lembrou a livros de aventura antigos, histórias de bruxa mais antigas também e muita coisa de YA atual. Esse eu percebi que encontrava uma mistura de Instrumentos Mortais e Jogos Vorazes, só que a autora conseguiu ir além e criar um mundo novo e diferente. Nightside tinha ficado com 4/5 na minha avaliação, Wolfsbane ficou com 5, porque com certeza ela conseguiu se superar. Vocês não tem ideia do mundo que ela abriu para os Seekers, surpreendente.

Título: Wolfsbane *sem previsão para lançamento no Brasil

Livro 2 – Trilogia Nightshade

Anterior: Sob a Luz da Lua

Próximo: Bloodrose *sem previsão para lançamento no Brasil

Autor: Andrea Cremer

Editora: Provavelmente a Galera Record

Resenha: Sirensong

A Igra fez resenha aqui pro blog de “Glimmerglass“, o primeiro livro da trilogia. Eu podia jurar que ela tinha feito para Shadowspell (o segundo) também, mas só agora na hora de postar que eu vi que não tinha. Então, nos desculpando esse “furo” de resenhas na trilogia, vamos direto para o terceiro livro: Sirensong.

Sirensong é o terceiro livro da trilogia Faeriewalker e também o último (estou ouvindo aleluia?). Ainda não foi lançado no Brasil (Shadowspell acabou de sair), mas não deve demorar tanto assim. Nesse livro temos o “fim” da história da Dana (eu -n) e os feéricos.

O primeiro livro, Glimmerglass, prende a sua atenção no início porque você está descobrindo tudo, então junto com a Dana você não sabe em quem confiar ou qual vai ser a próxima reviravolta a acontecer. Em Shadowspell, a curiosidade fica por contar de Erlking, um personagem atraente e perigoso ao mesmo tempo, que te faz questionar as intenções e surpreende. Já em Sirensong, em boa parte não há essa curiosidade. Pelo menos por umas 100 páginas, você sabe a situação de Dana, os inimigos dela e tem ideia do que vai acontecer. Então a leitura, apesar de para mim não ter sido muito diferente, pode ser meio parada para quem não se anima muito com a narração dela. Depois, é claro, isso muda e fica melhor ainda, com um acontecimento importante depois do outro.

Eu não fazia ideia de como a história ia continuar, mas depois de Shadowspell eu sabia que a autora poderia surpreender. Dessa vez, Dana Hathaway (e não Stuart, como o pai dela gosta de dizer) recebe a honra de ser convidada pela rainha Seelie a se apresentar diante da côrte. O que significa viajar até lá, através de Faerie, para encontrar a mulher que (spoiler do primeiro livro) fez o segurança de Dana ir parar no hospital como um aviso do que poderia acontecer a ela. A ideia já parecia ótima assim, só fica melhor ainda quando ela descobre que a sua outra opção é fazer a mesma viagem, mas como prisioneira. Adivinhe qual ela escolheu.

A viagem à Faerie é mais surpreendente do que podemos imaginar. Conhecemos novos seres feéricos (tanto Seelie quanto Unseelie), mais sobre a vida desses seres que em vez da técnologia possuem a mágica e mais sobre os próprios personagens. Inclusive o lindo do Erlking (que apesar de todo perigo eu adotei para mim). Sabe, é mais como se os primeiros livros fossem apresentando e desenvolvendo os personagens, enquanto nesse nós ficamos conhecendo o resultado disso tudo.

A maior diferença entre esse livro e os outros é que muda um pouco o modo como toda a situação é retratada. Nos primeiros nós temos os acontecimentos e então a Dana superanalisando todas as situações e decidindo como vai seguir em frente. Nesse nós ainda temos a Dana calculista, mas boa parte do livro é surpresa com o novo lugar e tanta coisa acontecendo que a coitada não tem muita chance de pensar direito. Ou seja, para quem não gostava muito da narração dela, talvez esse possa ser o melhor.

Eu gostei muito de como essa trilogia se desenvolveu (mesmo sendo tão feminina e tendo uma narração tão pessoal que pode afastar muita gente), todo o clima de história medieval e mágica que tem nesse livro, do mundo das fadas, de como os personagens são tão bem criados e do lado jovem de tudo isso. Também, diferente do que eu imaginei, não é muito um YA “empacotado”, temos um pouco do triângulo amoroso, mas ainda há outros “jogadores” e os personagens interagem com a história de um modo mais livre*.

*Normalmente é tipo: “é um triângulo amoroso” e a história fica crescendo em volta disso. Mas na trilogia Glimmerglass coloca a situação, cada personagem tem os próprios interesses e eles se aproximam ou se afastam de acordo com isso. Às vezes forma um triângulo? Forma. Às vezes cai em uma situação bem YA? Cai. Mas outras vezes se afasta muito disso.

De 0 a 5, o livro fica com 4-quase-5. Ele é o que eu dei a nota mais alta da trilogia e só não ganha máxima por comparação com os outros que receberam o 5 (Jogos Vorazes, Harry Potter…). De qualquer forma, eu tenho um carinho especial pela história e a qualquer hora que a Dana conseguir arranjar mais problema eu estou aqui para ler. :D

Título: Sirensong

Livro 3 – Faeriewalker

Anterior: Shadowspell

Autor: Jenna Black

Editora: Universo dos Livros, quando lançar no Brasil.

Resenha: Pretty Little Liars (segundo ciclo)

Eu já fiz uma resenha do primeiro livro, Maldosas, e uma para os quatro primeiros (o primeiro ciclo). Agora estou aqui para falar do segundo ciclo da série (com Perversas, Destruidoras, Heartless e Wanted). Essa resenha vem com alguns comentários extras e falando as diferenças dessa segunda parte da vida das meninas e pode conter algum spoiler (não tão grande) dos primeiros livros.

Se você já está lendo ou conhece a série, saiba que ela é dividida em ciclos, com um “A” (a pessoa misteriosa que manda mensagens e parece saber tudo sobre elas) diferente.

Depois da revelação no final do quarto livro eu me perguntava o que ainda poderia acontecer para ter mais tantos livros. Minha primeira resposta à essa dúvida foi o retorno do A. Na verdade, toda a história parece que regride um pouco, retornando a uma situação muito parecida com a inicial. As garotas continuam não se falando, envolvidas nos próprios mundinhos e sem acreditar no que está acontecendo. A maior diferença está no fato de que agora o foco do ciclo muda um pouco. Você se vê muito mais preocupado para saber quem matou Ali do que para descobrir o A ou saber dos problemas pessoais dela.

Essa segunda parte é mais pesada e se afasta um pouco daquilo de “brincadeira de criança”, fica um pouco mais parecida com um livro policial. Se tem alguma coisa que as garotas aprenderam com toda a confusão do primeiro A, foi evitar todo aquele drama pessoal. Não temos mais “e se descobrirem que sou gay?”, “e se descobrirem que eu vomito depois de comer?”, “e se descobrirem que eu pego o meu professor?” ou os problemas de “sou perfeita” da Spencer. Dessa vez, o que acontece é que cada livro é levemente mais focado em uma delas (4 livros, 4 garotas…) e, é claro, a vida continua.

A impressão inicial é a de que a autora estava só esticando o que já era pra ser terminado. Sabe como é, uma história no estilo “tem alguém nos seguindo” é fadada a terminar, não dá para continuar o mistério para sempre. Algumas vezes, até me forcei a ler, mas depois do quinto e para o sexto isso muda. O sétimo, “Heartless”, é o mais louco de todos e onde a autora prepara caminho para o próximo. O oitavo e “último”, Wanted, é o que mais lembra ao primeiro ciclo, também o que você não larga querendo saber as respostas.

O que eu falei na resenha dos quatro primeiros, de ser chato a autora fazer uma “recapitulação” para lembrar, acaba não sendo tanto. Em parte porque você pega o jeito de pular o que já sabe e em parte porque já é tanta história que realmente ajuda a lembrar de alguns detalhes.

Nesses, a personagem que eu mais gostei foi a Spencer, apesar da Aria ser a única com algum senso às vezes. Novamente, elas são legais ou muito chatas dependendo de uma coisa ou outra. O livro que eu mais gostei foi o Heartless, pela interligação que existe entre tudo e pelas pistas que a autora deixa. O Wanted também foi muito bom, mas muito doentio.

É uma mistura de irritação com o drama infinito que elas criam e a capacidade da autora de surpreender. Por mais que você tenha chegado às próprias conclusões, ela consegue te mostrar que é muito mais do que aquilo. Os finais continuam sendo um “AI MEU DEUS” para no início do outro ela jogar um balde de água fria na animação. Dá até para comparar a um carro acelerando, que em plena velocidade para adruptamente e começa outra vez.

Quando acabou eu fiquei aliviada, estava feliz por ter resolvido todos os problemas e a loucura (literalmente, loucura) acabar. Não queria ver mais Pretty Little Liars na minha frente, mas também sentia um pouco de saudade por todo o clima criado pela autora. Agora, continuaria lendo na boa, o que não é um problema, já que parece que ela está fazendo mais um ciclo (aqui eu fico na dúvida de falar “coitadas das garotas”, porque às vezes eu tenho a impressão de que elas merecem).

A pergunta: vale a pena continuar a ler no segundo ciclo ou é melhor parar?

Eu achei que esse era um questionamento que deveria ser considerado, porque para alguns talvez a série possa se “acabar”. Se tudo o que você quer é uma história simples de problemas entre adolescentes com todo o mistério, acho que é melhor parar em Inacreditáveis. Mas se você não tem problema em conhecer mais sobre os mistérios do maldito dia em que Ali desapareceu e toda a loucura que acompanha essa história, pode continuar. No geral, todos os livros são curtos e uma leitura simples, então acho que é ótimo para quem quer relaxar um pouco (não tanto assim com os últimos).

PerversasDestruidoras –  Heartless - Wanted

Os com nome em inglês ainda não foram lançados no Brasil e você pode ver sobre os novos do terceiro ciclo aqui.