Resenha: Histórias Cruzadas

Baseado no livro A Resposta, publicado aqui no brasil pela editora Bertrand Brasil, o filme narra a produção de uma obra pelo ponto de vista das empregadas domésticas do anos 60. Essas figuras, sempre negras de baixa renda e moradoras de subúrbio, sofriam ainda mais discriminação que os demais afrodescendentes da cidade. Não só haviam regras quanto brancos falarem com negros, mas também como a utilização de transportes públicos e ocupação de demais lugares. Com as domésticas, a discriminação não se encontrava somente na rua, mas também em seu trabalho. Elas mantinham as casas dessas mulheres brancas, limpas, seguras e fartas em comida, além de cuidar de suas crianças – isso enquanto tinham várias em casa precisando também de cuidado ( além de todo o serviço que já fizeram no trabalho precisando também ser feito em seus lares ). Nas moradas que cuidavam, eram vistas sempre como inferiores e ignorantes. Não havia uma relação que não fosse trabalhista e não envolvesse ordens entre as patroas e suas empregadas. No filme, há um momento no qual uma das personagem levanta a ideia de promover uma lei para proibir que elas utilizem o mesmo banheiro dos demais membros da casa. Segunda ela, as empregadas possuem germes e outros malefícios que não podem ser compartilhados pelo uso do mesmo sanitário. Isso além de outros absurdos particulares que podem ser vistos ao longo do filme.

Essa situação já anda tomando conta da pequena comunidade de Jackson, no Mississippi há algum tempo. Quando Eugenia Skeeter ( Emma Stone ) retorna a sua cidade natal, a jovem se depara com todos esse escândalos que se tornaram cada vez mais absurdos até onde ela tinha noção dos mesmos. Indignada, ela se aproxima da empregada de uma de suas amigas para receber ajuda com uma coluna doméstica de um jornal, tendo logo depois a ideia de escrever um livro do ponto de vista dessas reprimidas mulheres há muito tempo discriminadas. A ideia é parcialmente aceita por uma editora de Nova Iorque, o que faz a jovem jornalista decolar de felicidade e lutar ainda mais para conseguir mais adeptas. Ela pretende divulgar todas as injustiças que as donas de casa andam fazendo com suas domésticas que por vezes trabalham anos em suas famílias. Ao longo do filme, conhecemos mais da vida das domésticas e de escândalos que acontecem em seu trabalho. As que chamam mais a atenção são Aibileen ( Viola Davis ) e Minny ( Octavia Spencer ) – que estão concorrendo ao Oscar respectivamente como melhor atriz e melhor atriz coadjuvante.

Os personagens são muito bons e acho que esse é o grande toque do filme. Histórias Cruzadas foi um título perfeito por contar exatamente o que o filme mostra. São várias histórias de diversas empregadas que acabam sendo mostradas ao público por conta das donas de casa ou dos relatos para o livro da Skeeter. E o que seriam das histórias e de seus absurdos a serem revelados se não fossem as personagens bem interpretadas e de personalidades marcantes? Talvez por ser baseado num livro elas tenham um pano de fundo tão bom e possam comover facilmente os espectadores. Mas, é fato que não seriam tão grande coisas se não tivessem o elenco que tem. Duas atrizes coadjuvantes indicadas ao Oscar são desse filme, além de várias já terem participados de ótimas produções.

É um filme que comove facilmente e revolta os espectadores com as personagens racistas e a discriminação das empregadas. Rimos também bastante com várias ironias soltas em diversas cenas da trama e torcemos quando vemos algum personagem cruel receber o que merece. Senti que ele faz a platéia vibrar ao longo de sua exibição, sempre convidando as pessoas a sentirem o que está sendo mostrado. Palmas foram o que não faltou na sala cinema onde assisti à produção.

O filme está concorrendo a 3 categorias ( Melhor filme, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante ) diferentes do Oscar, sendo que duas de suas atrizes foram indicadas a melhor atriz coadjuvante. Além de Octavia Spencer ( a doméstica Minny ) e divertida loira burra Celia ( Jessica Chastain, que também marcou presença em A Árvore da Vida, outro indicado a melhor filme ) achei que também que a cruel Hilly ( Bryce Dallas Howard ) merecia também um destaque – apesar de que assim tomaríamos a categoria de melhor atriz coadjuvante. A mais fraca mesmo foi Emma Stone, que apesar de não brilhar tanto quanto as outras, ficou muito bem em seu papel de jovem mulher revoltada com preceitos de jornalista.

Histórias Cruzadas é um filme para chorar, torcer, rir e vibrar junto com os personagens. Altamente comovente e cativante, nos faz refletir sobre injustiças e a procurar saídas para os mais sombrios problemas.

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

3 thoughts on “Resenha: Histórias Cruzadas

  1. Esse filme está nos meus planos, e o livro também…é uma história que não está muito distante das coisas que ainda acontecem hoje…e fala de lutas que não podemos esquecer.

    • Faz bem em colocá-lo em seus planos, é realmente muito bom!
      Bem apontado, Maira! Apesar de terem absurdos só da época mesmo – porque qualquer discriminado nos anos 50 e 60 era discriminado mesmo, e sem dó! – o preconceito continua forte até hoje – com direito a alguns escândalos. É um filme que estimula a desafiar o comum que parece errado e a julgar pessoas por conceitos bobos ou sem fundamento. Os cegos por essas ideias são seguidores ignorantes de alguém que cita as regras, ou alguéns, bem como o filme demonstra com Hilly e suas comparsas.

      Bom filme!

      Abraços,

      Victor

  2. Esse filme teve uma tema excelente e um conteudo tambem, mas a unica coisa que nao foi bem elabora ,foi o inicio do filme, pois achei que o diretor nao esclareceu quem era as atrizes principais do filme.

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