E o calor já não está intenso. O sol, já não tão no alto, ainda brilha. Porém, seus raios que me mantiveram quente durante o dia já brincam confortavelmente em minha pele. A brisa que sopra em conjunto com a temperatura do astro permitem-me dizer que, em comparação com outros momentos do dia, o clima está agradável. Estou de férias e está fresco. Mas não fico completamente feliz. Garanto que isso basta para deixar um sorriso no rosto da metade das pessoas que conheço. É sol, temos tempo livre, o que mais você quer? E eu digo: ela. Está tudo muito tranquilo e gostoso, perfeito, diria, se não faltasse o que mais me falta: ela. Mas me parece que, nesse momento, os planetas se alinharam. Está fresco, tenho bastante tempo, e vejo a figura que tanto me alegra subindo a rua, bem como aguardava que ela o fizesse. Não basta esperar ansiosamente para que meu coração esquente como o verão atormenta a todos ou o sorriso invada minha face como se estivesse em êxtase. Seja lá qual for a situação, há de ter sua presença. Há de ter ela ao meu lado.
Beijo seus lábios com amor e pego sua mão. Vem, tem algo que quero te mostrar. Nesse período de dias longos e noites curtas, as sombras amarelas e alaranjadas preenchem a escadaria cinza por qual subimos. É um lugar feio de se subir, mas o momento o deixa lindo com tantas cores, luz e a pessoa que é só eu olhar para trás a fim de tudo florescer no mundo. Deixamos escapar alguns risos enquanto corremos apressados pelas escadas íngremes iluminadas pelo já escasso sol.
Então chegamos ao ponto onde pretendia levá-la. Um ponto do bairro onde podemos ver quase tudo abaixo de nós. A linha de horizonte se estende com as mesmas cores da escada a enfeitando. É lindo. Nos sentamos na grama, abraçados, com sua cabeça em meu ombro. O sol está indo embora e logo a noite virá. O período mais adorado do verão, o de sol intenso, termina em instantes e nós o aguardamos ansiosos, felizes, juntos. Eu a aperto ainda mais para junto de mim quando a luz está por um fio. E é perfeito. Nosso momento. A luz está cada vez mais diminuta e ainda estamos lá. Permaneceremos por ali quando a escuridão, ainda com aquela temperatura de verão, vier cobrir tudo ao redor. E, por fim, desceremos as escadas de mãos dadas, após ter visto algo perfeito que agora não tem palavras para o descreverem. Pois foi um lindo pôr-do-sol. Mas teve algo de especial que não se narra, se descreve ou até mesmo explica. Se sente, intensamente. E os corações batem felizes a cada passo durante nosso retorno.
Victor




































jan 26, 2012 @ 12:18:20
Tenho pensamentos parecidos quando percebo que “ele” está descendo a rua.
<3
jan 26, 2012 @ 14:42:23
*–*