Resenha: O Discurso do Rei

Um quase desconhecido e autodidata terapeuta vocal chamado Lionel Loque salvou a família real inglesa nas primeiras décadas do século XX.

Logue não era um aristocrata britânico, nem mesmo inglês, mas foi quem, sozinho, levou o duque de York, futuro rei George VI, nervoso e com problemas de fala, a se tornar um dos maiores reis da Grã-Bretanha, depois que seu irmão, Eduardo VIII, abdicou em 1936.

História inédita do relacionamento entre Logue e o rei George VI, coescrita com o neto de Logue e baseada exclusivamente nos diários e arquivos de seu avô Lionel.

Quando eu faço uma resenha aqui a ideia é dar ideia sobre o que aconteceu no livro, meio que respondendo aquelas perguntas “será que é bom?”, “será que eu leio?” e “é sobre o que?”. Então, achei que não seria certo fazer uma resenha sem ter visto o filme, considerando que o livro é produto dele.

É isso mesmo, se você não sabia O Discurso do Rei é um livro feito a partir do filme. O que contam é mais ou menos assim: fazendo pesquisas para retratar o filme do modo mais real possível, acabaram vendo que seria legal mostrar a história com mais detalhes (além de mais lucrativo). A partir daí, o neto do “médico” do Rei, junto com um jornalista, escreveu o livro.

Comparando filme e livro, eles são diferentes porque apresentam focos diferentes, mesmo usando o mesmo cenário. O filme foca na ideia de superar a dificuldade, dando realce às técnicas não convencionais do médico. Já o livro, foca na amizade desenvolvida entre o rei e Logue, bem no clima “foi assim que aconteceu”.

Se você espera uma narração comum com personagens e tal, não vai encontrar, não é um livro sobre isso. Eu indicaria para quem viu o filme e quer aprofundar. Também para quem gosta de ver aspectos da sociedade em outras épocas e locais. Ou, até para aqueles que estão estudando história e querem um ponto de vista diferente, um “alivio” nos estudos do vestibular sem realmente parar de aprender.

Como eu disse, o foco do livro é a relação entre o Rei (vou chama-lo assim para facilitar) e Logue (o “médico” da fala), de modo que tudo é trabalhado convergindo para esse ponto. Por que eles acabaram se conhecendo? Como foi o tratamento? E depois disso? Até quando eles mantiveram contato? Enquanto uma relação entre os dois, nós continuaremos lendo.

Podemos dividir o livro em três partes. O primeiro momento é o que eu mais gosto, o segundo é onde está a história que esperamos (Afinal, o que tem esse tal de discurso do rei? Como ele vai conseguir falar?). Já o terceiro eu confesso que até precisei me forçar a ler, mas é onde a História ganha mais força.

Parte 1 – Até eles se conhecerem.

De um lado, conhecemos como Logue cresceu, se interessou pela fala e foi parar na Inglaterra. Do outro, descobrimos como o Rei desenvolveu os problemas de fala e depois tentou curá-la sem grandes resultados. É tudo o que importa desde que os dois nasceram até o momento que começa o tratamento.

Parte 2- Se conhecendo.

Nessa parte mostra os primeiros anos da relação dos dois, o início das idas do Rei ao consultório de Logue e tudo o que aconteceu com eles, e com o mundo, nesse período. Algo interessante é que, diferente do filme, parece que o Rei melhora bem mais rápido, de modo que até passa um bom tempo adiando as consultas. Além disso, nós não sabemos exatamente o que é feito, é mais algo como “ele foi para a consulta” e citação de documentos que mostravam a melhora.

Parte 3- A relação.

A necessidade de fazer discursos foi o motivo para o Rei procurar Logue, então é o que determina a relação entre os dois. Mais discursos sérios para fazer, mais os dois estão juntos. Conforme o tempo passa, os dois ficam mais próximos (pelo menos, tanto quanto um Rei pode ser). O tratamento também muda, passando a ser muito mais a presença de Logue para dar confiança durante os discursos do que os exercícios. É nessa parte, também, que vemos como o Rei acabou virando rei e como foi a Segunda Guerra Mundial.

No geral, o livro é como se alguém fizesse várias pesquisas sobre Logue e o Rei, juntasse todas as informações e as unisse com certa narrativa. Não concordo em chama-lo de literatura exatamente. Se for definir o livro assim, ele é péssimo, mas se for visto como um livro de História, é bem interessante. E o melhor da síntese entre os dois tipos é que sai um livro de História que poderia mudar a opinião de muita gente sobre a matéria. Até eu, que gosto, acho que seria muito mais prazeroso aprender se os textos fossem mais como são no livro.

O livro, “O Discurso do Rei”, está nas livrarias e é da editora José Olympio, que é da Record.  O filme acaba de ganhar o Oscar de melhor e em breve deve ser encontrado em todas as locadoras e lojas. Se você ainda não viu, tem uma resenha aqui no blog.

Título: O Discurso do Rei

Livro baseado no filme de mesmo nome.

Autores: Mark Loque e Peter Conradi


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