Crítica – Depois de uma maratona de livros juvenis que, apesar de diversos aspectos diferentes, tem o mesmo estilo – a fim de agradar jovens – Neon Azul fez presença. Com um vocabulário bem explorado, uma narrativa não usual, personagens variados, fortes e bem originais, uma proposta bem diferente do que vemos ultimamente e, é claro, alguns drinks “literários” do talentosíssimo barman em aprendizagem, Diego, o romance fix up * ( ver um pouco mais sobre) entrou para a lista dos meus favoritos e dos livros que recomendo mesmo. Um dos motivos que ele se distingue dos livros juvenis é pelo fato de ser um romance adulto. Ao longo do livro, são encontradas cenas de sexo, explícitas ou não. Nenhuma das mesma é desnecessária – assim como cada mínimo detalhe do livro, que sempre é retomado -, entretanto, aviso logo para que não reclamem depois. É sempre necessário ir e voltar ao longo dos capítulos, pois quase nenhum personagem, por menos que apareça, é pouco importante, sempre recebendo destaque.
Resenha – Um homem que não dorme, um mendigo rico que fugiu da própria família, um advogado com um faminto cramulhão na garrafa, um assassino que atravessa espelhos, um escritor que persegue a própria personagem, um pianista apaixonado por um piano e com problemas ligados ao seu passado, uma cantora que já fez de tudo, mas ainda se impressiona, uma crente não tão religiosa, um editor que esconde um segredo apaixonado por uma prostituta. Esses são os clientes e funcionários do bar mais diferente de todos, o Neon Azul. Todos, independente de suas habilidades e problemas, fazem daquela boate um lugar especial, não se tornando nada além deles mesmo sem ela e, a mesma não se tornando nada além de uma boate sem eles.
O que para alguns é um bar, para outros uma boate possui um misterioso dono, o Homem. Com habilidades desconhecidas, faz tudo funcionar conforme de deseja, encantando quando entra e quando sai de seu estabelecimento e deixando todos frenéticos ao marcar uma “reunião”.
Neon Azul reúne todos desse bar encantador onde muitos queriam ficar um pouquinho. Em meio a sombras e sonhos, danças e canções, drinks e saídas, o livro tenta nos mostrar como cada integrante daquele lugar é especial, cada um a seu modo, e como fazem do Neon o bar.
Um pouco mais sobre…
Romance Fix Up – Criado nos Estados Unidos por volta dos anos 50, esse gênero é um tipo de antologia de contos ligados ao mesmo universo que se interligam, dando-lhe a característica de um romance. O livro não foca em nenhum personagem, contando sobre todos de um universo em comum. Neste caso, o tal universo seria o bar Neon Azul.
Eric Novello – Adora escrever sobre os bares, boates e inferninhos que permanecem vivos em sua memória. Em sua fase solar, cuida de um gato imaginário e da coleção de vinis de blues que ainda não começou. É roteirista. aficionado por cinema, principalmente o noir. Adoraria ter o prazer nas horas vagas, mas antes precisa descobrir como conseguí-las.
Veja mais sobre suas obras em seu web site : http://ericnovello.com.br/
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out 01, 2010 @ 23:49:42
Obrigado, Victor! Você sabe que quem resenha o Neon Azul tem direito a um exemplar do Histórias da Noite Carioca? Se quiser, é só me passar seu endereço postal por e-mail. Abraços!
out 02, 2010 @ 15:26:09
De nada, Eric, foi um prazer. Nao, nao sabia disso. Eu te mandei um e-mail ligado ao Neon Azul. Quando você responder, te envio o endereco, estou muito interessado. Acho que decifrei o mistério do Homem rs
Abracos,
Victor